UFF disponibiliza escuta psicológica aos estudantes em tempos de pandemia e ensino remoto

 Por Letícia Merotto


Foto: Reprodução/UFF

Com a pandemia do Novo Coronavírus, questões como o ensino remoto, o isolamento social e as dificuldades financeiras e psicológicas se tornaram pontos cada vez mais presentes na rotina dos estudantes. Pensando no seu compromisso ético com os alunos e em como as mudanças de hábitos acarretam diversas implicações emocionais, a Divisão de Atenção à Saúde do Estudante (DASE) da Universidade Federal Fluminense (UFF) passou a oferecer escuta psicológica virtual aos estudantes durante o isolamento social.

A Divisão vinculada à Coordenação de Apoio Social (CAS) e à Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PROAES), localizada em Niterói, iniciou o serviço virtual em maio deste ano, pouco depois do início da quarentena. Desde então, o serviço já contemplou mais de 250 alunos e, periodicamente, o edital com novas 50 vagas é aberto no site da universidade. A última data de inscrição foi dia 08 de outubro de 2020. 

O serviço prevê um atendimento pontual, com uma média de uma a três sessões por aluno. Isso se deve ao fato da proposta da Divisão ser de acolhimento e atenção, e não acompanhamento, como contou a psicóloga e diretora da DASE, Nathália Lacerda. “Uma coisa importante é que a proposta da DASE é ser uma divisão de acolhimento e de atenção às questões relacionadas à saúde e qualidade de vida do estudante, não só a saúde física, mas a saúde integral, como a qualidade de vida, a saúde emocional, mental, os relacionamentos. É uma Divisão com foco em atividades de prevenção e de promoção da saúde, e não ao tratamento propriamente dito. É importante dizer que em casos de emergência e urgência, é feito um encaminhamento para locais que atendam àquela necessidade, pois não temos estrutura para atender”, explicou Nathália.

Antes da pandemia, o setor da universidade já realizava diversos trabalhos voltados para a saúde do estudante, inclusive a escuta psicológica presencial. Com a quarentena, a diretora contou que o serviço ganhou uma nova proposta, um novo formato e foi reestruturado. 

“Com a questão da pandemia e do isolamento, nós conversamos e vimos a necessidade de manter o nosso trabalho de acolhimento das questões que sempre surgem na universidade. Elaboramos e reestruturamos esse atendimento para atender ao modelo virtual e à necessidade dos estudantes. Além disso, estamos com a proposta de focar mais nas questões advindas da quarentena”, revelou a diretora.

Quanto ao serviço, muitos estudantes se queixaram que não conseguiram se inscrever devido ao número de vagas limitados. Uma aluna da universidade, que preferiu não se identificar, queixou-se. “Não consegui me inscrever devido ao número de vagas, são muito poucas para a quantidade de alunos que a UFF tem e, assim, elas preenchem muito rápido”, disse a estudante.

Sobre isso, Nathália, diretora da DASE desde 2016, explicou que o serviço conta com apenas quatro psicólogos e, com o número reduzido de vagas por edital, conseguem atender os alunos inscritos o mais rápido possível e, consequentemente, abrir o edital para novas cinquenta vagas o mais breve também. Além disso, ela também contou que a Divisão está crescendo cada vez mais.

Além de Niterói, a UFF de Rio das Ostras também desenvolveu um projeto de escuta psicológica na pandemia, que contempla não só estudantes como também servidores da universidade. Larissa Carvalho, psicóloga voluntária do programa graduada pela própria UFF, contou um pouco mais sobre a inciativa do projeto.

“A proposta inicial era abrir um espaço de acolhimento para os profissionais da saúde que trabalhassem na universidade e estivessem na linha de frente da Covid. Começamos lá pro final de março e já em junho estendemos para toda a rede e também para os alunos. Somos 20 psicólogos, todos ex-alunos e voluntários e, cada um de nós já atendeu 35 pessoas”, contou Larissa.

Sobre o projeto, a psicóloga contou que também é baseado na terapia breve, são quatro sessões e, após isso, são feitos os devidos encaminhamentos caso necessário. Quanto às demandas dos estudantes, ela disse que, incialmente, a maioria era pela falta das aulas presenciais, pelo período de incertezas que se mantém, pelos lutos e, agora, também pelo ensino remoto com todas as complicações que traz.

Perguntada sobre a importância da psicologia nesses tempos de pandemia, Larissa não poupou palavras. “Quando você se afasta do lugar, espaço que você faz parte, o corpo sente de diversas formas. Não à toa, a gente teve um aumento considerável na compra de ansiolíticos e antidepressivos durante a pandemia. Tive diversos pacientes que relataram sentir falta até da rotina de andar de ônibus lotado, do estresse do trânsito. Além disso, a obrigação do convívio 24 horas por dia traz diversos conflitos, a gente vê que o número de divórcios também cresceu consideravelmente na pandemia”, explicou.

Vale ressaltar que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo. Não tenha medo ou vergonha de buscar ajuda. Afinal, como a própria psicóloga Larissa disse: “o ser humano é um ser social e constantemente precisa do outro”.


Comentários

  1. Oi, Letícia. Eu adorei sua reportagem, só mudaria duas coisinhas bem bobas. No segundo parágrafo você diz que o programa começou em maio, "logo no início da quarentena". Considerando que a quarentena começou dia 16 de março, que foi o dia que paralizaram as aulas, eu não considero maio início da quarentena. Mas acho que isso vai da percepção de cada um também. A outra coisa é quando você vai reproduzir a frase da estudante. Para isso, você usa outro parágrafo, eu colocaria dois pontos e continuaria no mesmo parágrafo. É só isso mesmo, parabéns pela reportagem.

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