Comerciantes de livros veem suas vendas decaírem com a falta de incentivo e gosto pela leitura
Por Fabia Mauler
Foto 1: Jardel e Eduardo Rodrigues, entre blocos do Gragoatá
Reprodução: Arquivo pessoal
Enquanto os estudantes passam apressados para chegar à aula, Jardel monta as mesas para expor os livros todos os dias, faça chuva ou sol. Eles são dos temas mais variados, desde curiosidades históricas sobre Três Rios até o último romance de Adam Silveira, e passam sempre pela seleta curadoria de Seu Jardel, que fica religiosamente à espera por seus possíveis compradores até o sol se pôr. Um pouco mais distante, na praça da Cantareira, a livraria Yorùbar, que também funciona como um bar, recebe um público diverso das 9h às 00h, tempo que fica aberto. Ambos comércios têm em comum tanto a paixão pela literatura, quanto as consequências da falta de valorização dela.
A falta de valorização à literatura é um dos assuntos muito comentados na sociedade no último século. Em razão do baixo investimento em educação e cultura, a leitura é deixada de lado. Além disso, a situação econômica também é um grande motivo para essa desvalorização, já que a população não pode pensar em livros quando está passando fome. Segundo dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil,o país perdeu mais de 4,6 milhões de leitores nos últimos 5 anos. Esse número é sentido pelos comerciantes de livros, como aponta o funcionário do Yorùbar, Hernildo Alves, mais conhecido como ‘Silva, o livreiro’. “Antigamente vendia mais, a questão econômica era mais favorável, acho que depende muito da situação econômica do país para que se possa vender mais livros. Estamos num momento mais complicado, mais difícil. Você vê comércios fechando, quer dizer a questão econômica bateu forte nas pessoas, tanto para pessoas comuns até empresários, que fecharam suas lojas. Então acho que essa questão influencia tudo”.
Outro ponto para a diminuição das vendas nos sebos é a ascensão dos livros digitais, popularmente exibidos no Kindle, um aparelho eletrônico para leitura. “Acho que o Kindle deu uma caída nessa parte mais analógica da leitura, do físico. Hoje a gente vê uma queda muito grande nas vendas, a online ainda sai bastante, mas pessoalmente deu uma caída mesmo. A gente teve um processo bem desgastante no governo, um governo que não incentivava a cultura, nem a literatura, nem nada. Esperamos agora uma nova safra de leitores, acreditando em um novo governo que incentiva a literatura.”, diz o sócio do sebo Yorùbar, Eduardo Rodrigues.
Foto 2: Yorùbar, na praça da Cantareira
Reprodução: Arquivo pessoal
Apesar disso, os livreiros ainda buscam incentivar a leitura. “A gente compra livros de segunda mão, claro, a gente vive disso, e de doações também. Mas nós também doamos livros para quem precisa, para a comunidade, no caso. Os projetos vêm para nós para que possamos ajudar nesses processos de leitura, a gente busca essas pessoas afastadas dos livros.”, finaliza Silva.
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